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Dia da Mentira na Era das Fake News

LoFrano / Blog, Internet / 0 Comments

Lá vem ele. 1º de abril mais uma vez. Antes, o dia começava com uma boa pegadinha, seja em casa, com a família, ou com algum professor na escola dizendo que havia uma “prova surpresa”. Na Era da tecnologia isso mudou.

Aqui no Brasil, 1º de abril é o Dia da Mentira, já nos Estados Unidos a data é conhecida como “April Fools Day”. Em outros países como por exemplo, Suíça e França, é habitual que os colegas façam brincadeiras uns com os outros como por exemplo, pregar um peixe de papel nas costas de um amigo sem que ele se dê conta.

Já na Alemanha, a data é levada um pouco mais a sério, além de pregar peças nas pessoas com a chamada “aprilscherz” (piada de abril), faz parte da tradição noticiar histórias falsas.

No Youtube é possível encontrar por exemplo, um vídeo da emissora BBC que causou fervor ao mostrar uma matéria sobre uma suposta plantação de espaguete. Sabe quando foi isso? Há 60 anos. O link do vídeo está aqui para provar:

No entanto, em tempos de Fake News alguns veículos decidiram abrir mão das brincadeiras do dia 1º de abril.

Fake News?

Muito ouvimos falar, mas o que exatamente são as Fake News? O conceito segundo a BBC baseia-se na distribuição de falsas notícias intencionalmente e geralmente com fins políticos ou comerciais.

Segundo o diretor do BBC World Service Group Jamie Angus, o propósito é de convencer as pessoas a pensarem de uma certa forma toda vez que alguém clica em um conteúdo fraudulento.

Chacota em tempos tristes

Para o sociólogo Georg Kamphausen: “Vivemos atualmente numa constante piada de 1º de abril.”

Pois bem! Esse é o tempo dos “fatos alternativos”, que nada mais é do que um labirinto em que as falcatruas se espalham na velocidade da luz através das mídias sociais e causam reações adversas nas pessoas.

Alguns especialistas relataram à BBC Future Now sobre os maiores desafios enfrentados o século 21. Vários deles indicaram a ruína de fontes seguras ​​de informação como um dos problemas da atualidade. E devemos concordar: é difícil tratar qualquer um dos problemas que o mundo enfrenta agora.

Política

A enxurrada de notícias falsas pelo mundo (virtual) ameaça o processo democrático, já que em qualquer livro sobre ciências políticas você encontra informações dizendo que a doutrina democrática depende de as pessoas serem informadas sobre questões variadas, para que possam debater e só então, tomarem uma decisão.

No entanto, as redes sociais proporcionam o acesso à milhares de informações durante o dia, e isso resulta em uma sociedade com um grande número de pessoas mal informadas.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Pew Research Center em 2016, 64% dos adultos americanos falaram que notícias inventadas estavam causando confusão a respeito dos fatos básicos de problemas e eventos atuais.

É fato que a política sempre contou com aqueles que sentem a necessidade de enganar aos outros para seguir em frente, porém, precisamos de uma nova forma de decidir o que é confiável.

Recentemente, através de links disfarçados para sites de fontes confiáveis foram difundidas notícias a respeito do papa endossando a candidatura de Donald Trump. Hillary Clinton também foi alvo das Fake News, sendo indiciada por crimes relacionados ao seu escândalo de e-mail. Tudo inventado.

Internet: la casa de las noticias

Com a Internet, muitas vozes começaram a ser ouvidas sem que houvesse um filtro para isso e isso o que animou diferentes grupos de pessoas que poderiam agora buscar seu espaço e expandir sua opinião. No entanto, essa disseminação de informação desenfreada trouxe à tona uma nova situação: “Para cada fato existe um contrafacto e todos esses fatos parecem idênticos online”, afirma Kevin Kelly, co-fundador da revista Wired.

A própria Wikipedia por exemplo, pode ser editada por qualquer um e está longe da perfeição, quando se trata de informações imprecisas.

Já as redes sociais, chegaram para facilidade a reunião de pessoas que compartilham a mesma visão de mundo. Antes era muito mais complicado encontrar opiniões que coubessem em seu ponto de vista, em reuniões informais, por exemplo, sempre haveria um debate. Hoje, isso é feito através do computador e pode gerar grandes conflitos e situações complicadas.

As notícias falsas podem resultar em pânico, ofensas ou constrangimentos e a longo prazo, podem ter grandes danos.

Pensando nisso, a BBC News Brasil no seminário “Beyond Fake News – Em Busca de Soluções, reuniu pesquisadores, influenciadores digitais e jornalistas recentemente, para tentar encontrar maneiras de prevenção de disseminação de notícias falsas.

Para eles, a resposta do problema denominado Fake News está em educar melhor os leitores e tornar conteúdo da imprensa mais atraente, mantendo a credibilidade.

Neste encontro, Camila Marques, responsável pelas estratégias digitais da Folha de S. Paulo, comparou o ambiente de Fake News a um esgoto a céu aberto, que, segundo ela, só será solucionado através de “obras de infraestrutura”: nessa analogia, a solução passa pela educação.

Pois bem, a tecnologia pode ajudar a resolver esse grande desafio de nossa Era. As Fake News podem ser combatidas com algumas iniciativas, tanto pessoais, quanto em massa, no entanto, é hora de um pouco mais de autoconsciência.

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